sábado, 17 de novembro de 2012

O ESPIRITO VADIO DOS NATAIS PASSADOS

NATAL, para alguns esta data tem um significado especial, estes últimos dias que antecedem o ano novo serão de festas e alegrias; para outros, apenas mais uma desculpa para encherem suas caras com cerveja e cachaça; mas para mim, esta época significa solidão, dias furiosos em que me entrego a pensamentos tristes, época em que olho para trás e vejo que nada mudou, que nada consegui, mais um ano desperdiçado, mais um ano de tremendo vazio... NATAL, o que esta data significa, a não ser a celebração decadente daqueles que ainda acreditam e tem esperança, daqueles que fazem fortuna com o comercio e com a exploração dos pobres e semi-analfabetos, período em que gastamos o que não temos, comemos o que não podemos e compramos um amontoado de badulaques e coisas superfulas, sem sabermos como pagar. Então me pergunto mais uma vez, o que é o natal?
 
 
Infelizmente eu tenho que comprar uma MERDA qualquer para meu filho e meu marido, talvez eu me lembre dos meus pais, irmãs e amigos, claro não posso me esquecer da minha sobrinha e seu jeito maroto de conseguir as coisas fácil, e se sobrar alguns trocados, talvez eu alimente minha vaidade com uma quinquilharia qualquer, quem sabe uma roupa ou sapato vagabundo, ou talvez mais um perfume barato ou uma lingerie brega e cafona; não importa, o que interessa é que eu, mesma não gostando, sou vítima deste dia memorável em que sou obrigada a estar com quem não quero e fingir gostar do ambiente e das pessoas que me cercam, beber com meus falsos amigos e compartilhar a mesa com minha família pilantra e sangue-suga, ter que sorrir e escancarar meus dentes amarelos para meu marido pestilento, e beijar sua boca fétida como prova de agradecimento e gratidão pelo presente miserável que ele me deu, abraçar forte meu filho que nem sequer vai me agradecer pelo presente que recebeu de mim, presente este que não sei nem mesmo como vou pagar, e mesmo assim sou obrigada a ver seus olhos descontentes, chorosos e tristes por não ter ganhado o presente que queria, e ao invés disto terá que se conformar com o "carrinho" fuleira que pude comprar, ao invés da "boneca barbie" tão sonhada por ele.
 
 
Me sinto exausta só de pensar nesta semana que se aproxima, deito então em minha cama surrada, fecho meus olhos em meu quarto escuro e sombrio e choro de saudades do tempo em que eu era livre, do tempo em que eu me preparava para ser sodomizada e abusada por vários homens, do tempo em que eu tinha cada poro do meu corpo preenchido por dedos e linguas insaciáveis, de um tempo em que eu dava, mas também recebia, de um tempo em que eu era chamada de vagabunda, puta, piranha, safada, vaca, cadela, vadia, prostituta, meretriz, galinha, rameira, rapariga, quenga e muitos outros nomes indecentes e depreciativos, mas que me qualificavam como uma mulher soberba e realizada na cama, de um tempo em que eu urrava de prazer a cada festa de final de ano, e me sentia alegre, feliz e realizada, mesmo que por um breve momento, mesmo que por apenas aqueles momentos em que estava sendo penetrada, momentos felizes em que estava completamente dopada pelo álcool e pela maconha, mesmo assim eu sabia o que era ser desejada, violada, serviciada e submetida ao verdadeiro ESPIRITO NATALINO, que nada mais é do que; o sacrifício do seu próprio corpo, a entrega voluntaria da sua própria carne aos lobos e carniceiros que te cercam, a busca desesperada pelo goso divino... EU FUI A OFERENDA E O ALIMENTO DE MUITOS. Mas hoje, veja só o estado em que me encontro, triste, inconsolada, vazia, carente e muito, muito sozinha, e sobrevivo me alimentando dos restos do meu passado glorioso, em que o NATAL era mais do que especial, era a época em que eu tinha minha fé e esperanças renovadas e acreditava cegamente que minha vida mudaria, mudaria para melhor.

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