Estava vadiando pelas ruas, praças e calçadas desta nossa linda cidade, perambulando como uma cadela sem dono, com um olhar lascivo e insinuante, de quem se oferece descaradamente a primeira criatura que esteja disposta a perder alguns poucos segundos de sua vida, ouvindo o convite de uma vagabunda qualquer, cujo conteúdo da conversa, não passa de elogios baratos e mentirosos, floreados com a falsa promessa de prazeres indescritíveis e inesquecíveis; a palavra NÃO tem se entoado como uma constante em meus ouvidos; meu esmalte e batom, não escondem mais as marcas do tempo; minhas roupas provocantes, já não chamam mais a atenção para meu delgado e flácido corpo; meu hálito já não tem mais o doce aroma do mel; meus seios já não despontam atrevidos sobre o fino tecido da blusa; meus longos dedos dos meus pés, que outrora se mostravam perfeitos e bem cuidados, hoje se configuram curvos, sujos e infestados de fungos, devido as longas marchas pela madrugada adentro; meus cabelos curtos, cheirosos e perfeitamente tratados com shampoos e cremes, hoje dispersa um ranso forte de sebo e suor; meus olhos grandes e verdes, tornaram-se avermelhados com o passar do tempo, e o cansasso, toma conta de minhas pálpebras dia-apos-dia; meu ventre firme e tonificado que antes ficava a mostra exibindo meu pequeno e delicado umbigo, hoje frouxo e recoberto por estrias, não esconde minha flácida e protuberante barriga; minhas pernas longas e bem torneadas, que no passado eram o delírios dos homens, hoje se escondem através de meias e vestes longas, que recobrem as muitas feridas, varizes e pelos que despontam incessantemente de cima a baixo; minha bunda firme, grande e redondinha, que antigamente elevou e transcendeu meu nome e minha fama, além das fronteiras nacionais, e que despertou os mais loucos e depravados desejos carnais, alojando em seu interior, membros de tamanho e calibre inacreditaveis, hoje sofre com toda sorte de doença, perebas e cicatrizes, me fazendo chorar de dor devido a hemorróidas agonizantes que projetam meu intestino para fora e sangram constantemente pelas várias fissuras e sarcomas.
Claro que esta não é a descrição literal e nem fidedigna do meu corpo, claro que seria uma inverdade utilizar todos estes adjetivos e substantivos para descrever minha carne, na verdade, acho que esta é a forma que me vejo, é assim que me sinto, cansada, decadente, um verdadeiro trapo humano, talvez seja assim que minha alma ou espirito se configurem, talvez seja este o reflexo que se forma no espelho da minha alma, talvez a única solução que me resta, é continuar perambulando pelas ruas, praças e avenidas, me oferecendo e mostrando meu corpo ainda belo, em trajes indecorosos, que assanham o fetiche e a promiscuidade dos homens, fingindo ser a santa que não sou, orgulhando-me de um diploma universitário mais vagabundo do que a própria graduada, concebendo prazer e dor a todos que me conhecem, envolvida em um rótulo bonito de mãe, esposa e responsável, mas que na verdade, chora ansiosa pelo sexo selvagem, depravado, sujo, indecente, vagabundo e acima de tudo promíscuo; cujo aroma e sabor dos muitos homens que me tem, permanecem em meu corpo até o raiar de um novo dia
Gosto das suas postagens. No entanto, recomendo que você tome cuidado com os erros de português. Fazia tempo que você não postava nada. Fora isso, também mudou a cor do fundo do blog. Particularmente, prefiro a cor azul a cor preta.
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